LEMBRAM DOS MÉDICOS DA AUSTRÁLIA?
- Davi Peixoto

- 22 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Vídeo com ameaças antissemitas feitas por profissionais de saúde gera indignação e investigação na Austrália
Por. Davi Peixoto

Um vídeo gravado durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais provocou forte repercussão internacional ao mostrar dois profissionais de saúde da Austrália fazendo declarações antissemitas e ameaças explícitas contra judeus e israelenses. O caso envolveu um enfermeiro e uma enfermeira muçulmanos que trabalhavam em um hospital público do estado de Nova Gales do Sul, na cidade de Sydney.
Nas imagens, que circularam amplamente nas redes, os profissionais conversam com um influenciador israelense. Ao descobrirem sua nacionalidade, passam a proferir comentários hostis, afirmando que se recusariam a atender pacientes israelenses e, em tom ainda mais grave, sugerindo que poderiam matá-los no local de trabalho. As declarações geraram choque imediato, especialmente por terem sido feitas por pessoas responsáveis pelo cuidado direto de pacientes.
Diante da repercussão, a Secretaria de Saúde de Nova Gales do Sul suspendeu os dois profissionais e informou que eles não poderão mais atuar no sistema público de saúde do estado. As autoridades classificaram o comportamento como incompatível com os princípios éticos da medicina e da enfermagem, que exigem atendimento imparcial, respeito à vida e não discriminação.
A polícia australiana abriu investigação criminal para apurar possíveis crimes relacionados a ameaças, incitação à violência e uso de meios de comunicação para intimidar ou assediar. Em paralelo, conselhos profissionais também iniciaram processos administrativos que podem resultar na cassação definitiva dos registros dos envolvidos.
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, condenou publicamente o episódio, descrevendo o conteúdo do vídeo como “repugnante, chocante e inaceitável”. Organizações judaicas manifestaram preocupação com a segurança de pacientes, enquanto lideranças muçulmanas ressaltaram que as falas não representam a comunidade islâmica como um todo.
As autoridades de saúde informaram que, até o momento, não há qualquer evidência de que pacientes judeus ou israelenses tenham sido efetivamente prejudicados enquanto os profissionais exerciam suas funções. Ainda assim, o caso reacendeu debates sobre antissemitismo, discursos de ódio, radicalização online e a necessidade de mecanismos mais rigorosos de fiscalização ética em serviços públicos essenciais.
O episódio reforça um alerta global: discursos de ódio, quando partem de agentes que ocupam posições de confiança e poder sobre a vida de outras pessoas, ultrapassam o campo da opinião e passam a representar um risco concreto à segurança, à dignidade humana e ao próprio Estado de Direito.
Por. Davi Peixoto


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